domingo, 18 de março de 2012

Pastoreio, relação de intimidade


O que é interessante é que o dom de pastor é o mais comumente conhecido, porém o menos entendido e o menos praticado. A palavra em grego traduzida por pastor é ποιμήν (poimen) e aparece 18 vezes nas escrituras.

Um pastor é alguém que foi nomeado para cuidar do povo de Deus à mesma maneira em que um pastor cuida de ovelhas (naturalmente falando), o que significa que ele está supervisionando e observando o crescimento das pessoas.

Eis algumas básicas analogias entre o pastor e a ovelha:

Uma delas foi a que Jesus disse: “Minhas ovelhas ouvem a minha voz. Eu as conheço e elas me seguem” (Jo.10:27) e "Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas; e elas me conhecem (Jo. 10:14). Então no que diz respeito ao cuidado do povo de Deus, existe uma intimidade implícita e ela é: As ovelhas ouvem a voz do seu pastor...elas não ouvem a voz de outro.

A palavra poimen não pode funcionar em nenhum outro contexto que não seja de intimidade. Se estivermos falando de administrador, sabemos que isso pode funcionar sem intimidade. Se falarmos de um ‘professor’, isso pode funcionar fora do contexto de intimidade, mas um pastor não.

Isso está muito longe da noção de pastor na atualidade. A ideia seria que um pastor teria que realmente gastar tempo com cada membro de sua congregação, saber dos seus problemas, conhecer os seus familiares, saber dos seus ministérios, dos seus chamados e encorajá-los a desenvolver o seu chamado. Infelizmente não é o que costuma acontecer.

A regra geral é que os pastores acreditam que se apenas forem ao púlpito e pregar uma mensagem estarão alimentando as ovelhas. Se fosse assim, deveriam ser culpados pela condição anêmica do povo de Deus. O povo de Deus, de um modo geral, é biblicamente analfabeto. Falando de forma geral, o povo não tem fé. São crianças na fé, não confiam em Deus. São medrosos, desiludidos, assustados. Se isso é resultado do cuidado que eles recebem, então não estão sendo efetivamente cuidados. Bom, mas se estivermos falando de outra palavra que não seja “pastor”, então é explicável a falta de intimidade, conhecimento e união.

Jesus conheceu os doze que o Pai deu a eles. O verso de Jo. 6:70 mostra que Jesus conhecia a cada um deles. Por isso Jesus podia ser considerado o “Bom Pastor”, por que Ele conhecia cada um dos que foram dados a ele. Jesus não pediu, procurou ou pegou nenhum outro e, de fato, quando foi dar conta ao Pai ele disse: Eu revelei a estes homens tudo a Seu respeito. Eles estavam no mundo, porém agora o Senhor deu todos a Mim. Realmente, eles sempre foram seus, e Eu os recebi porque obedeceram a Palavra do Senhor. Agora eles sabem que tudo o que Eu tenho é um presente Seu, porque Eu transmiti a eles as ordens que o Senhor Me deu; eles as aceitaram e sabem com plena certeza que Eu vim do Senhor à terra, e crêem que o Senhor Me enviou. Meu pedido não é pelo mundo, mas por estes que o Senhor Me deu, porque eles são meus. E todos eles, já que são Meus, são Seus; e o Senhor os restituiu a Mim com tudo o que é seu, e portanto eles são a minha glória! Agora Eu estou saindo do mundo, e deixando todos aqui, seguindo para a Sua presença. Pai Santo, guarde-os com o Seu cuidado – todos aqueles que o Senhor Me deu - para que, tal como Nós, eles sejam unidos, sem falta de nenhum. Durante a minha permanência aqui Eu guardei em segurança todos estes que o Senhor Me deu. Eu os guardei de tal maneira que nenhum se perdeu, a não ser o filho do inferno como as Escrituras tinham predito. (Joã 17:6-12)

Então Jesus disse: "Eu escolhi vocês doze; contudo, um é um diabo". (Joã 6:70)

Jesus estava próximo para cuidar, daqueles que o Pai deu a ele. Jesus amou o mundo, mas ele não estava desenvolvendo intimidade com o mundo, senão com os Doze que o Pai deu a ele.

A responsabilidade de levantar alguém no Senhor requer que você esteja intimamente envolvido no seu crescimento e desenvolvimento.

Paulo se referia a Timóteo como seu filho no evangelho e realmente Paulo estava presente nos momentos mais importantes da vida de Timóteo. Foi ele quem impôs as mãos sobre Timóteo separando-o para o ministério; foi ele quem o levou de Listra e Derbe até Tessalônica e etc. Como você vai ajudar alguém a buscar e realizar o seu chamado se não fizer nem ideia de quem ele é?

O que acontece no modelo de igreja que temos hoje é que os pastores não olham pela vida das ovelhas e sim pelas suas próprias. Eles escolhem e preparam pessoas visando o seu próprio bem. Mas, biblicamente falando, se você pastoreia alguém, você precisa saber quem ele é no Senhor.

Obedeçam aos seus líderes espirituais e estejam prontos a fazer o que eles disserem. Porque o trabalho deles é velar sobre as almas de vocês, e Deus julgará se eles fazem isto bem. Dêem-lhes motivo para prestarem contas de vocês ao Senhor com alegria, e não com tristeza, pois neste caso vocês também sofrerão com isto. (Heb 13:17)

Se você não conhecer as pessoas que estão sob o seu cuidado será impossível para você, dar a elas instruções de Deus.

Não é muito diferente de educar uma criança. Quando o seu filho cresce, você não o ‘comanda’ mais como se fosse uma criancinha. Então, você o direciona, o lembra quem ele é, lembra-lhe os seus dons, seu chamado etc. Isso é o que um pastor faz. Não é diferente de ser um pai. Um pai espiritual e um pai natural, no Senhor, praticamente se diferem em nada.

Yeshua ia passando por todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, proclamando as boas-novas do Reino e curando todo tipo de doenças e fraquezas.  Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor. Então disse aos talmidim: “A colheita é farta, mas os trabalhadores são poucos. Orem para que o Senhor da Colheita envie trabalhadores para a colheita”. Mattityahu 9:35-38

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